Sem administradores públicos bem formados e ocupando com exclusividade certas posições na estrutura administrativa do Estado, o país vai continuar patinando.

Projeto do Laboratório de Estudos do Setor Público e Observatório de Políticas Públicas é pioneiro em Limeira e aproxima gestores municipais e alunos de Administração Pública

 

Confira a matéria completa na 19ª edição da revista FCA Abre Aspas e veja o que aluna egressa tem a dizer sobre o curso.

Texto e fotos | Cristiane Kämpf

Sem administradores públicos bem formados e ocupando com exclusividade certas posições na estrutura administrativa do Estado, o país vai continuar patinando. A afirmação é da Professora Milena Pavan Serafim, especialista em análise de políticas públicas e com experiência na gestão de programas do Ministério do Desenvolvimento Social (2005 e 2006) e Ministério da Saúde (2005).

A pesquisadora e docente participou da estruturação da graduação em Administração Pública da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, atualmente cursada por aproximadamente 300 alunos (são oferecidas 60 vagas/ano) e um dos cursos da Universidade que mais atrai alunos de escolas públicas.

“Há no Brasil uma grande carência de profissionais preparados para assumir a gestão pública. Precisamos urgentemente de especialistas que compreendam o funcionamento da máquina estatal, do orçamento público e de instrumentos legais para que possam elaborar, implementar e avaliar políticas públicas no cumprimento de uma administração efetiva dos bens e serviços”, afirma.

Ela também destaca a importância da atuação desses profissionais para a estabilidade das instituições democráticas e credibilidade do Brasil perante outros países e iniciativa privada. Segundo a especialista, “uma burocracia sólida garante um Estado minimamente estruturado, como acontece na Alemanha, Inglaterra, França e, como podemos ver mais recentemente na Colômbia também”. Burocracia, neste caso, significa o conjunto de normas e regulamentos que estruturam as atividades e o funcionamento do Estado. A burocracia é a tentativa máxima de impessoalizar uma estrutura organizacional. No senso comum, a burocracia virou sinônimo de algo que é ruim ou que não funciona, ou seja, virou sinônimo de disfunção burocrática, que é um problema/doença na burocracia.

“No momento em que entendermos que a máquina estatal precisa ter entre seus funcionários um corpo de Administradores Públicos, vamos conseguir dar uma orientação mais qualificada para o Estado Brasileiro. Mas se continuarmos achando que ela pode ser manejada por qualquer formação, vamos cair sempre na mesma armadilha, tendo em vista que o tempo e os recursos públicos são escassos. Os mandatos de quatro anos, alinhados a um conjunto de peças orçamentárias, como PPA, LDO e LOA, compartilhamento de prestação de serviços públicos, etc. são alguns dos inúmeros desafios que todo dirigente na administração pública enfrentará. As demandas são urgentes, os problemas são complexos e não é ético com a sociedade que esse dirigente esteja em um posto de trabalho, tendo que tomar decisões, mas não tenha qualificação para tal. Um percentual dos funcionários públicos deveria ser formado em Administração Pública – são eles que têm conhecimentos específicos sobre o funcionamento desta esfera. É somente assim que garantiremos um Estado mais ágil, eficiente e efetivo para a população. Caso contrário, vamos continuar patinando”, diz a professora, ela própria formada em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).

 

“Sem administradores públicos bem formados e ocupando com exclusividade certas posições na estrutura administrativa do Estado, o país vai continuar patinando”

 

Como funciona a graduação em Administração Pública?

O curso na Unicamp tem duração de quatro anos (3.180 horas de aula) e as disciplinas abordam conhecimentos gerais de administração (marketing, recursos humanos, gestão do conhecimento e estratégia); economia (macro e microeconomia, economia industrial, economia brasileira); contabilidade e finanças (matemática financeira, mercado financeiro, gestão financeira); direito (instituições públicas de direito, direito constitucional, administrativo e tributário); operações (gestão da qualidade, logística, sistemas de informação); estudos quantitativos (matemática, estatística e pesquisa operacional); e conhecimentos humanísticos (sociologia, filosofia, ética e cidadania, lógica, e etc). Além claro, das disciplinas específicas, como Introdução à Ciência Política; Evolução do Estado e Instituições Públicas no Brasil; Estado, Burocracia e Políticas Públicas; Governança em Políticas Públicas; Formulação, Implementação e Avaliação de PP; Políticas Públicas no Brasil; Contabilidade Pública; Administração Financeira e Orçamentária; Laboratórios de Políticas Públicas I e II, etc.

Entre os professores estão administradores públicos, economistas, engenheiros, filósofos, matemáticos, administradores de empresa, especialistas em contabilidade, historiadores, sociólogos, físicos e antropólogos, entre outros. A formação abrange, portanto, conhecimentos gerais, específicos e interdisciplinares – ou seja, que relacionem várias áreas do conhecimento.

“É impossível tratar de um problema público a partir de uma área de conhecimento isolada. Os problemas da atualidade são complexos e exigem ferramental técnico e conceitual interdisciplinar para que possam ser resolvidos ou amenizados”, explica a Profa. Juliana Leite, especialista em gestão de políticas públicas na área da saúde, segurança alimentar e desenvolvimento rural.

Ela destaca que a Administração Pública busca resolver problemas concretos e não somente conceituais. “Formamos pessoas para que elas sejam produtoras de conhecimento sobre a política pública e para a política pública, ou seja, capazes de contribuir para seu aprimoramento e resolver problemas reais”.

O documento completo que detalha o planejamento pedagógico do curso pode ser acessado neste link.

 

“Formamos pessoas para que elas sejam produtoras de conhecimento sobre a política pública e para a política pública, ou seja, para resolver problemas reais”

 

lesp reuniao 1860

Reunião sobre projetos de iniciação científica no LESP – Laboratório de Estudos do Setor Público, com professores e alunos do curso de Administração Pública.

Confira a matéria completa na 19ª edição da revista FCA Abre Aspas e veja o que aluna egressa tem a dizer sobre o curso. 

 

 

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