Denilson (à direita) e alunos indígenas da Unicamp na frente do mural "Cunhantã" (foto: Thaís Polydoro)

 

 Texto | Cristiane Kämpf

"Nós indígenas podemos manter nossa cultura e conhecimentos tradicionais e, ao mesmo tempo, estar atualizados com o que ocorre no mundo. É uma maneira, inclusive, de mostrar aos brasileiros não-indígenas como podem ser os indivíduos indígenas na atualidade. Através da arte e da música conseguimos compartilhar ideias e pensamentos indígenas com todo mundo. Essa foi a ideia do mural, que também é uma homenagem aos alunos indígenas da Unicamp". Assim o artista plástico amazonense Denilson Baniwa explicou a escolha do tema do painel que pintou na Faculdade na sexta-feira, dia 22, durante o Sarau Resistir é uma Arte. O painel, entitulado 'Cunhantã' (que significa 'menina jovem, criança') retrata uma menina indígena com pinturas tradicionais no rosto e no corpo e, ao mesmo tempo, usando headphones vermelhos. Traz também um poema que critica a exclusão dos conhecimentos tradicionais do fazer científico na universidade. 

Denilson nasceu na aldeia Darí, no município de Barcelos, que faz parte da microregião de Rio Negro, a qual inclui também o município de São Gabriel da Cachoeira, onde a Unicamp já aplicou a primeira e segunda edições do vestibular indígena. Atualmente o artista mora em Niterói (RJ) e neste ano foi o vencedor da categoria online do Prêmio Pipa de Arte Contemporânea.

"Vivenciei a arte ainda criança na aldeia em que nasci, observando as mulheres indígenas a construir artefatos e utensílios que seriam usados no cotidiano. A minha primeira impressão de pintura foi a corporal, com tintas extraídas do crajirú. Entre rituais e tradições formei a minha identidade através da arte e cultura indígena do povo Baniwa. Ainda criança, foi no município de Barcelos, interior do Amazonas que iniciei meus estudos e tive contato com modelos formais de arte, me destacando e ganhando prêmios na região como desenhista. O comprometimento com a questão indígena foi a minha ferramenta de trabalho e laboratório de estudos. Passei a vida criando e agora já adulto, vivendo na cidade, pude buscar referências na academia para compor a minha obra repleta de sagrado e conceito cultural do universo indígena muito desconhecido. Faço do meu trabalho uma ponte que leva e traduz o patrimônio imaterial da História do Brasil, revelando sutilezas na simbologia de indígenas que resistiram e ressurgem em um contexto globalizado e culturalmente dinâmico", coloca Denilson.

Outras obras estão divulgadas no instagram do artista (@denilsonbaniwa) e o mural pintado na Faculdade pode ser visto por todos os interessados, já que o campus é aberto à comunidade externa.

 

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                      Denilson Baniwa em seu ateliê no Rio de Janeiro, onde vive atualmente (foto: arquivo pessoal do artista)

 

 

 

 

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