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Prof. Mauro C. Simões entrevista professor da Universidade de Barcelona sobre situação na Catalunha

 

A comunidade catalã luta, mais uma vez, para se separar da Espanha. Após conversas entre os dois professores sobre o Referendum do último domingo na Catalunha, temos aqui uma entrevista do Prof. Mauro Cardoso Simões com o Prof. Gonçal Mayos Solsona. Após três questões formuladas por Mauro C. Simões, Gonçal Mayos analisa detidamente o que tem ocorrido nos últimos dias na Catalunha. Clique na imagem e assista ao vídeo, vale a pena conferir! Uma conversa sobre Ética, Cidadania e Participação Popular!

* Gonçal Mayos Solsona é Professor do Departamento de Filosofia da Universität de Barcelona e Director do Open Network for Macrophilosophical and Postdisciplinary Researches. Suas muitas atividades podem ser conferidas em: http://www.ub.edu/histofilosofia/gmayos/

* Mauro Cardoso Simões é professor de Ética e Cidadania na Faculdade de Ciências Aplicadas (UNICAMP); É membro do (Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CHS) e do Núcleo Geral Comum (NGC). 

 

 

Sem título

 

 * Por Mauro Cardoso Simões

 

Dois dias depois do Referendum realizado na Catalunha (domingo dia 01 de outubro e conhecido como 1-O), e em plena Greve Geral que ontem ocorreu igualmente na Catalunha (em reação à violência praticada pelas forças policiais - deslocadas de todos os cantos da Espanha para impedir o Referendum - e em defesa da Democracia), o Rei Felipe VI discursou à nação e disse menos do que se esperava. Conclamou todos ao cumprimento da Lei e da Constituição e acusou os políticos da Catalunha de descumprirem seus compromissos com a Constituição Espanhola.

O mesmo já havia sido dito por Mariano Rajoy (Presidente de Governo Espanhol) e Soraya Santamaria (vice-presidente). Os dois últimos pareciam não crer no que ocorria a seus olhos no último domingo e se resumiam a repetir o que já haviam expressado nos últimos meses: exigiram o respeito à lei. O Rei não fez um apelo ao diálogo. Não fez um convite à reaproximação. Foi como se seu discurso parecesse ter sido escrito pelo PP (Partido Popular).

Mas é o respeito à lei (ou à norma, ou ao estatuto) o único recurso em situações complexas como esta? Responder positivamente a esta questão é de um simplismo político irrecuperável.

Ao mesmo tempo em que dizem apostar todas as fichas no diálogo, apontam o recurso à lei como último recurso, o que tem emperrado o diálogo e não tem promovido a coexistência pacífica. Como se sabe, a lei também é instrumento de coerção e de violência. Não dialogam, apontam a lei e os instrumentos jurídicos de coerção. Tanto em Espanha como no Brasil as coisas são assim:  muitos escondem-se sob o escudo da lei como único recurso para a resolução de situações complexas.

O que ocorre neste momento não apenas em Barcelona, mas em toda a Catalunha, está sob análise de toda a comunidade internacional. Os desdobramentos estão por acontecer e em breve virão à luz. Por enquanto, o que se vê é um povo que não aceita os ditames do governo central e rejeita de forma pacífica, mas ativamente, a violência policial. Contrariamente ao que diz o Rei e os conservadores espanhóis (inclusive Rajoy e seu séquito), a sociedade catalã não está fraturada, dividida, mas está unida – como não se via há muito tempo - contra os desmandos de Madrid.

            Teria o Rei autorizado o Estado de Exceção?

P.S.: Enquanto Felipe VI discursava, um grande panelaço tomou conta da Catalunha.

 

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Catalunya
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Imagens da Catalunha no último domingo, dia 01 de outubro (fonte das imagens: http://www.nationmultimedia.com/detail/breakingnews/30328198 e http://www.politico.eu/article/catalonia-to-hold-independence-vote-on-october-1/)